Fim de semana, mereço uma fanfarrinha depois de longos minutos esfregando o quintal, vou te contar, quem disse que pombos são o símbolo da paz certamente não os tinha sobre seu telhado arrulhando e não precisava esfregar o quintal inteiro com suas fezes.
Pois bem, eis que depois do dever vem o lazer e pude dedicar alguns minutos na visita aos blogs das colegas de dança. Lá no cantinho da Natália,
Dançar ou não Dançar?, encontrei essa reflexão que achei muito interessante e que condiz com meu pensamento.
Leiam, reflitam e se puder visitem a Natália e deixem seu pitaco, eu deixei o meu por lá que, também, incluo aqui.
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AzedumeQue eu sou azeda, todo mundo sabe. Mas ai quando eu fico melancólica... Sai de baixo.
Se alguém esteve lá no Encontro Internacional Bele Fusco de Dança do Ventre e viu uma panaca feia, desarrumada, sem brinco nem maquiagem, cara de cansada e olheiras traduzindo os workshops da argentinada, adivinha quem era?
Euzita, a própria.
Sempre que estive em eventos de dança, estive como aluna, convidada, participante, enfim. Mas nunca tinha estado "por fora" da coisa, assistindo os works sem dançar. Fui de civil, sabe?
Olhando aquela mulherada toda tentando decorar a coreografia (linda, por sinal) que a Saida passou, observei o comportamento de várias delas e comecei a pensar sobre muitas coisas (enquanto traduzia, é claro).
O que é, exatamente, o auge de uma
bellydancer?
É ter uma escola? Ser professora? Dar workshop? Ganhar prêmio? Sair na revista? Viajar por causa da dança? Eu consegui algumas coisas dessa listinha já, mas me considero bem longe do auge. Sério. Sem falsa modéstia, eu acho que eu tô beeeem no começão do caminho ainda. É gostoso encontrar muita gente nesses eventos, sabe? Tem gente que eu gosto de verdade, mas são poucas. Porque, convenhamos, é pouca gente que vai lá "de boa" no Português mais chulo que eu consegui usar.. rsrs. Sabe, o pessoal vai lá, esbanjar uns lenços de quadril de mais de cem reais, collants caríssimos, cabelos montados, strass e o diabo a quatro. Mas... pra quê mesmo? Isso não parecia ajudar muito o pessoal que estava com dificuldade na coreografia.
Enfim. No fundo, no fundo, acho que estou amargurada porque no Encontro do ano passado eu estava lá, no meio da mulherada, feliz, com o Ruhi, todas uniformizadas, felizes, dançando e fazendo palhaçada. E este ano, não tem Ruhi coisa nenhuma. Cada uma pra um lado, e as poucas que sobraram juntas, seguindo seus caminhos separados. Tudo é efêmero demais.
Estava conversando com meu fiel escudeiro Sr. R., (que graças a Deus estava lá na porta do Vitória Hall me esperando ontem quando eu sai, mega tarde), "será que essas meninas sabem o que elas querem, de verdade na dança?". Sei lá, pra mim tem uma cara de ilusão... Se vestir de princesa, se encher de bijouteria, subir três minutos ao palco, descer, tirar a maquiagem, colocar as coisas dentro da mala e voltar pro mundo real. Não tem?
Quanta gente será que curte, de verdade, dançar? Até que ponto vale a pena engolir tudo sobre dança mas fazer disso uma neurose? Ontem tinha uma menina que estava arrasada porque não conseguia pegar a coreografia, porque não conseguiu falar nada com a Saida, porque ela não conseguiu decorar a sequência... Sabe... Ela pagou caro naquele workshop e não curtiu.... Entendem o que eu quero dizer?
Bom. Esse análise melancólico da vida Bellydance provocou tamanho vazio em mim que só pode ser preenchido com alfajor Havanna. Que é mais caro do que deveria, ah isso é. Mas... Tá ai ne, agora vou comer!
E amanhã tem mais workshop. Desde as 9h às 18h e eu estarei lá, firme e forte.
Beijocas ♥
Sua pergunta foi "O que é, exatamente, o auge de uma bellydancer?", pois bem, para mim é exatamente isso, começar a perceber esse tipo de coisa, saber diferenciar o real da ilusão.
O sucesso é algo muito relativo, depende do que cada uma almeja, eu já tive escola, já fui professora, já dei workshop em meu espaço e em outros que fui convidada, viajei para trabalhar, no mesmo estado, pertinho, mas viajei, nunca ganhei prêmio, mas também nunca me inscrevi, não tive um terço do sucesso que uma Lulu Sabongi (quem eu muito admiro e considero modelo de dançarina bem sucedida), hoje voltei apenas a ser uma aluna em sala de aula, coisa que nunca deixei de ser, e posso te dizer que nunca tive uma relação tão maravilhosa com a dança, nunca foi tão claro seu papel em minha vida.
A gente passa por altos e baixos com a dança e isso nos faz ver coisas que nos fazem crescer como pessoas e bailarinas.
Eu curto os minutos que estou dançando, seja em um palco pomposo ou na sala de casa, aproveito cada segundo dos workshops e aulas que eu faço, respeito meus limites, sei onde quero chegar e não tenho pressa, a dança é para sempre em minha vida e o que eu busco nela é bem simples, momentos felizes, graças a Deus encontrei e acho que, apesar de cada uma viver uma experiência e almejar uma coisa diferente, todas alcançaremos quando abrirmos os olhos para coisas como essas que você comentou aqui!