quinta-feira, 11 de março de 2010

Aceitação


Se você é uma pessoa que, ao assistir um vídeo de sua apresentação, visualiza só os pontos negativos da sua dança ou, pior ainda, não quer nem pensar em assistir um vídeo seu, essa postagem é para você!
Não vou aqui dizer que você deve se amar, se valorizar, e todo blá blá blá de autoajuda, isso todo te mundo diz e você está cansada de saber.
O que eu quero é que você pense em uma palavrinha importante: aceitação.
Sua dança tem defeitos e isso é um fato. Na verdade, eu não conheço nenhuma bailarina perfeita, e esse conceito de perfeição, do que é feio ou bonito é completamente questionável pois sabemos que não existe verdade absoluta.
Por vezes o que você considera defeito é uma qualidade para outrem.
Observar sua dança é saudável e ajuda a ter uma visão técnica da sua arte, a compreender os pontos que precisam ser melhorados e os que estão se destacando.
Uma coisa que não pode-se esquecer é que o vídeo não capta a magia do momento, ele é produzido sem efeitos especiais, sem edições, trabalhados sem efeitos de luz e sem edição de cenas, como são feitos os filmes de Hollywood, não espere que eles produzam tal efeito.
O que você observar em seu vídeo será um mapa para estudo e direção para evoluir em sua dança. Esta autoavaliação é mais importante do qualquer outra, já que só você sabe da história do seu corpo, do que gosta e de onde deseja chegar.
Aceitar suas limitações não significa ser mole ou acomodada, você pode, e deve, tentar superar determinados limites, mas com cautela e respeito a todos os fatores que envolvem esse desafio, principalmente respeitando seu tempo.
Alguns desses limites você nunca irá superar, aceite isso sem sofrer e se deprimir. E não vamos nem entrar nos méritos estéticos, porque aí sim a coisa pega fogo...
Eu adoro citar Oswaldo Montenegro, acho que ele tem sempre algo bacana para ilustrar nas mais diversas situações da vida e, na música A Lista, ele diz "quantos defeitos sanados com o tempo era o melhor que havia em você". Pense nisso, eu estou pensando!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Sim, nós temos um dia só nosso!


Vamos ser sinceras, ser mulher é tudo de bom!
Tudo bem, tem a tal da TPM que arrebenta as relações sociais e te transforma no monstro do lago Ness, tem a menstruação que te deixa desconfortável por alguns dias, tem a depilação que "só por Deus", ninguém merece tanta dor, e por aí vai.
Mas ainda assim, apesar de todos os os "detalhes chatinhos", é tão bacana ser essa criatura misteriosa e complexa que somos.
E dançar? Ah, dançamos sem culpa, nos entregamos, ninguém vai achar estranho a gente soltar a franga...
A gente pode ser perua, e como sabemos sê-la!
O marketing existe para nos satisfazer, a publicidade nos endeusa, somos a base da sociedade, quase o umbigo do universo, hehehe.
A gente é poderosa demais e fingimos não saber só para não deixar os homenzinhos deprimidos.
Merecemos todas as flores que nos ofertam hoje e as muitas que ainda ofertarão, somos FODAAAAAAAAA!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Cabelo curto e dança do ventre

Eu me rendi ao verão e à experiência única, e inédita, de ter os cabelos curtos.
Mas não é curtinho estilo chanel, aquele curto tímido que mostra a nuca mas ainda dá para fazer rabinho. É o curto mesmo, aquele no melhor estilo Elis pimentinha .
Foi no final de dezembro, foi gradativo e sem traumas, mas foi e desde então as perguntas que mais ouço são: "mas, e a dança?", "você parou mesmo de dançar?", "vai colocar um aplique quando for se apresentar?".
Bom, senhoras e senhores, primeiramente minha resposta a quem questiona a relação cabelo curto x dança do ventre tem sido "eu não danço com o cabelo" e, juro por Deus, estou sendo educada, minha vontade era nem responder.
Já não bastavam os comentários e observações sobre quilinhos a mais, agora tem também o dos cabelos curtos?
Ô sina essa de bailarina de ter que incorporar o esteriótipo das mil e uma noites!
Tudo bem, eu entendo a visão limitada das pessoas. Dificilmente alguém se aventura a pensar além das barreiras que a mídia, e os rótulos, impõem, eu mesma sou assim em muitos aspectos.
Mas, falando sério, eu nunca dancei com o cabelo, de verdade, me incomoda o exagero com que algumas bailarinas utilizam suas poderosas jubas.
E não é despeito não, cabelo não me falta, aliás me sobra, poderia doar metade e ainda iria pesar horrores, é que eu acho mesmo muito fútil e esnobe jogar excessivamente o cabelo durante a dança.
Em minha dança, o cabelo nunca foi muito marcante, ele estava lá, fazendo sua parte ornamental, mas só, vez ou outra ele entrava em ação.
E o khaliji? Bom, para mim o khaliji é mais do que cabelo. Aliás, folclore para mim é mais do que instrumentos e passinhos, é um estado de espírito, de êxtase. Vou continuar dançando sim, porque khaliji é o folclore que mais amo e não, não vou colocar nem um fiozinho de aplique no cabelo, quem sabe explorando as possibilidades não trabalho uma forma de dançar que não seja tão bitolada no cabelo.
Quer dizer então que cortou o cabelo perdeu a força do quadril? Ah, não, claro que não é isso, é o visual né, bailarina de dança do ventre tem que ter cabelão. Ah sim, e de preferência ter também barriguinha sarada, peitão, bundão, roupa linda e deslumbrante etc. e tal.
Desculpe-me, sou o que posso e sou mais do que SÓ ISSO.
Vou seguindo feliz com meu cabelinho delicioso até quando eu achar bacana, volto a cultivá-los quando tiver tempo, paciência e vontade, e não porque o mercado de dança "exige".
Com a graça divina hoje posso dizer que como ex-profissional do ramo, me reservo o direito de surtar como quiser e, mesmo que a dança ainda pagasse as minhas contas, eu faria igualzinho.
Nas aulas de dança não me incomoda nem um pouco os passos que usam cabelos, eu os adapto para minha realidade e ainda faço pose.
Como diz uma amiga muito querida, sigo feliz sendo eu!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Dançar deve ser simples como amar

"Quem vai dizer ao coração,
Que a paixão não é loucura
Mesmo que pareça
Insano acreditar
Me apaixonei por um olhar
Por um gesto de ternura
Mesmo sem palavra
Alguma pra falar
Meu amor,a vida passa num instante
E um instante é muito pouco pra sonhar
Quando a gente ama,
Simplesmente ama
É impossível explicar
Quando a gente ama
Simplesmente ama!"

A música Quando a gente ama, interpretada por Oswaldo Montenegro nos mostra com clareza como amar é inexplicavelmente simples.
Para mim, dançar possui esta mesma simplicidade.
A gente complica, mas não precisa!
E essa conversinha de amadora ou profissional é pura perda de tempo, a dança deve ser tratada com simplicidade em ambos os casos.
Quando é necessário rebuscar demais é porque alguma coisa está errada.
A dança se basta. Se expressar basta!

Quero falar de uma dança muito especial para mim que seria meramente corriqueira não fossem os recentes acontecimentos.
Há exato um ano, em 13/02/09, eu dancei pela única vez publicamente, uma dança simples, um presente.
Eu já tinha decidido que 2009 seria um ano de ficar na concha e não faria apresentações, mas o aniversário da minha irmã e avô se aproximava e eu nunca tinha feito uma "dança para a família".
Meus familiares sempre me viam dançar em eventos, trabalhando, ensaiando, mas nunca tinha realizado uma dança para algum deles.
Meu avô e minha irmã dividiam as velinhas desde que, em 1985, nasceu essa criaturinha meiga de olhões verdes e sorriso lindo.
Ela me viu dançar por alguns anos, sempre fotografando, filmando, puxando o saco, apoiando nos bastidores, até que eu comecei a dar aulas e ela se tornou a aluna que eu mais tive prazer em ensinar.
Não é por ser minha irmã não, mas a Carol sempre foi aplicada, dava a dança a devida seriedade, comprometida sem perder a alegria de praticar essa arte.
Nem preciso dizer que sua meiguice se refletiu em cada movimento de sua dança...
Meu avô, junto com minha mãe e avó, faz parte do trio que mais cuidou de mim, apoio e carregou no colo, nos braços, nas costas e onde fosse preciso.
Ele foi pai 30 vezes para mim, presente 100% em minha vida.
A Carol foi o presente que Deus mandou para celebrar com ele os aniversários. Ninguém foi mais puxa-saco um do outro do que esses dois, e eles se mereceram integralmente.
Foi então que eu resolvi dar a esses dois uma simples dança, aquela sem pretensão mas que vem de dentro e sai com todo o amor que se pode dar.
Eu dancei com o candelabro para eles, sequer me lembro a música, ela era coadjuvante, mas era sinuosa e delicada. Ao final, do jeito mais piegas possível, eu tirei o candelabro e dei para eles apagarem.
Depois embalei um, mais clichê ainda, Happy birthday to you a la habibi, e puxei minha irmã para dançar. Foram menos de 8 minutos de dança e baguncinha.
Passados 5 meses meu vozinho foi inesperadamente chamado por Deus e nos deixou saudosos de sua presença. Foi o momento mais dolorido da minha vida, nunca imaginei sentir tamanha tristeza, não consigo sequer dimensioná-la.
Os dias foram amanhecendo, um depois do outro, e fui parando para pensar, lembrar, matar a saudade com o que restava na mente já que fisicamente era mais possível.
Perdida nessas reflexões me veio a mente esta última dança, a última coisa mais significativa que fiz para meu avô.
Os dias passam e a gente sempre acha que vai ter mais tempo, tem coisas que não podem ficar para amanhã, amar e dançar são apenas duas delas.

 
Vô Ignácio e Carol, me assistindo dançar

 
 
Os aniversariantes apagando as velinhas do candelabro

 Vô Ignácio e Carol, apagando a última velinha juntos

  
Certas coisas não podem ficar para amanhã, que bom que vivemos esse momento

 
Não é o vozinho mais lindo do mundo? Saudade!

sábado, 23 de janeiro de 2010

Maquiagem dos antigos egípcios


Mulher observa estátua de Nefertiti, rainha egípcia, durante uma visita da imprensa ao Neues Museum, em Berlim

Maquiagem de chumbo dos antigos egípcios combatia infecções, dizem cientistas do New York Times

No antigo Egito, acreditava-se que a elaborada maquiagem dos olhos usada pela rainha Nefertiti e outras mulheres tivesse poderes de cura, invocando a proteção dos deuses Hórus e Ra, além de evitar doenças.
A ciência não aceita a mágica, mas considera os cosméticos de cura. A maquiagem à base de chumbo usada pelos egípcios possuía propriedades antibacterianas que ajudavam a evitar infecções comuns na época, de acordo com um relatório publicado neste mês no "Analytical Chemistry", uma publicação da Sociedade Americana de Química.

"Isso é intrigante; eles foram capazes de construir uma forte e rica sociedade, então não eram completamente loucos", disse Christian Amatore, químico da Ecole Normale Superieure, em Paris, e um dos autores do artigo. Porém, eles acreditavam que essa maquiagem podia curar --entoavam cânticos enquanto faziam a mistura com coisas que hoje chamamos de lixo.

Amatore e seus colegas pesquisadores usaram microscopia de elétrons e difração de raios-X para analisar 52 amostras retiradas de estojos de maquiagem egípcia preservados no Louvre.

Eles descobriram que a maquiagem era feita fundamentalmente pela mistura de compostos químicos à base de chumbo: galena, que produzia tons escuros e brilhantes, e os materiais brancos cerussita, laurionita e fosgenita.

Como as amostras haviam se desintegrado ao longo dos séculos, os pesquisadores não puderam determinar a porcentagem de chumbo na maquiagem.

Embora muitos textos escritos, pinturas e estátuas do período indiquem que a maquiagem era amplamente usada, os egípcios a viam como algo mágico e não medicinal, disse Amatore.


Infecções

No antigo Egito, na época em que o Nilo transbordava, os egípcios sofriam com infecções causadas por partículas que entravam no olho e traziam doenças e inflamações.

Os cientistas argumentam que a maquiagem com chumbo agia como uma toxina, matando as bactérias antes que se disseminassem.

Porém, embora sua pesquisa proporcione uma fascinante percepção de uma antiga cultura, os cientistas afirmam que a maquiagem não deve ser usada todos os dias.

Amatore explicou que a intoxicação dos compostos de chumbo ofuscava seus benefícios e que existem muitos casos documentados de envenenamento como resultado do uso do chumbo em pinturas e soldagens no século 20.

Neal Langerman, físico-químico e presidente da Advanced Chemical Safety, uma empresa de consultoria de segurança na saúde e proteção ambiental, afirmou: "Você não deve fazer isso em casa, especialmente se tiver criança pequena ou um cachorro que gosta de lambê-lo".

Beleza e perigo


Mesmo assim, segundo Langerman, faz sentido que os egípcios fossem atraídos pelos compostos.

"Chumbo e arsênico, entre outros metais, fazem lindos pigmentos de cor", disse ele. "Como eles criam cores atraentes e você pode transformá-los em pó, faz muito sentido usá-los como corantes de pele".

A questão do chumbo na maquiagem continua a ser debatida na indústria de cosméticos, particularmente em relação às pequenas quantidades de chumbo encontradas em alguns batons.

Embora alguns grupos e médicos argumentem que, com o tempo, usuários de batom podem absorver níveis de chumbo capazes de resultar em problemas de comportamento, a FDA --agência que regulamenta a produção e venda de diversos produtos nos Estados Unidos-- afirma que as quantidades de chumbo encontradas em maquiagens são pequenas demais para causar danos.

"É a dose que faz o veneno", disse Langerman, parafraseando o médico renascentista Paracelso. "Uma dose baixa mata as bactérias. Numa dose alta, a quantidade absorvida é demais".

Fonte: Folha Online

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Dois mil e 10 anos de dança!

Gente, em 2010, comemorarei 10 anos de dança! Que delícia!
Muita gente de peso diz que alguém com menos de 10 anos de dança não pode ser levada a sério, será que agora eu serei? Hehehe.
O lance é o seguinte, para mim o ano já acabou, falta entregar mais uma avaliação da pós, cumprir a tabela até as férias coletiva, já planejei meu próximo ano, só festa!
A boa notícia é que em 2010 eu volto a fazer aulas regulares de dança, inshalah!
O plano é participar das aulas duas vezes na semana, manter o corpo em movimento, sem a menor intenção de voltar ao meio profissional, dançar vez ou outra quando der na telha e pintar um convite bacana, ficar ali, no anonimato, quietinha, curtindo o que a dança tem de bom para oferecer ao meu corpo e espírito.
Sem compromisso, sem amarras, sem bandeiras, nada, só eu, a dança, a professora e a curtição de estudar em grupo.
A má notícia é que, eu vou precisar me desdobrar, se já não tenho tempo hoje imagina voltando às aulas? Pois é, me dividir entre o marido, os filhos-cachorros, a família, os estudos da pós e a dança vai ser difícil.
Se minhas visitas ao blog estavam sendo esporádicas, agora acontecerão junto com a visita do cometa Halley.
Não vou tirar o site do ar, mas não sei quando poderei voltar. Ter um blog e não atualizá-lo, ao menos uma vez na semana, me angustia profundamente, mas não tem outro jeito.
Enfim, beijocas para as moçoilas bellydances, prometo vez ou outra passear nos blogs alheios e comentar.
Precisando sabem onde me achar no orkut e no e-mail, no mais vou vivendo aqui no mundo real.

FUI!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Fugindo da normose


O texto abaixo foi retirado do blog da fofa da Lory (Casamento & Arte) e tem tudo a ver com o que acredito e busco na vida e na dança.

Normose, de Martha Medeiros

Dezembro 6, 2009 por lorymoreira
“Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal. Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito “normal” é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Quem não se “normaliza” acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?

Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha “presença” através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.
A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a autodepreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar?

Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu “normal” e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.

Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes”.

Martha Medeiros
(05.08.07-Jornal Zero Hora-P.Alegre-RS)