"Quem vai dizer ao coração,
Que a paixão não é loucura
Mesmo que pareça
Insano acreditar
Me apaixonei por um olhar
Por um gesto de ternura
Mesmo sem palavra
Alguma pra falar
Meu amor,a vida passa num instante
E um instante é muito pouco pra sonhar
Quando a gente ama,
Simplesmente ama
É impossível explicar
Quando a gente ama
Simplesmente ama!"
A música
Quando a gente ama, interpretada por Oswaldo Montenegro nos mostra com clareza como amar é inexplicavelmente simples.
Para mim, dançar possui esta mesma simplicidade.
A gente complica, mas não precisa!
E essa conversinha de amadora ou profissional é pura perda de tempo, a dança deve ser tratada com simplicidade em ambos os casos.
Quando é necessário rebuscar demais é porque alguma coisa está errada.
A dança se basta. Se expressar basta!
Quero falar de uma dança muito especial para mim que seria meramente corriqueira não fossem os recentes acontecimentos.
Há exato um ano, em 13/02/09, eu dancei pela única vez publicamente, uma dança simples, um presente.
Eu já tinha decidido que 2009 seria um ano de ficar na concha e não faria apresentações, mas o aniversário da minha irmã e avô se aproximava e eu nunca tinha feito uma "dança para a família".
Meus familiares sempre me viam dançar em eventos, trabalhando, ensaiando, mas nunca tinha realizado uma dança para algum deles.
Meu avô e minha irmã dividiam as velinhas desde que, em 1985, nasceu essa criaturinha meiga de olhões verdes e sorriso lindo.
Ela me viu dançar por alguns anos, sempre fotografando, filmando, puxando o saco, apoiando nos bastidores, até que eu comecei a dar aulas e ela se tornou a aluna que eu mais tive prazer em ensinar.
Não é por ser minha irmã não, mas a Carol sempre foi aplicada, dava a dança a devida seriedade, comprometida sem perder a alegria de praticar essa arte.
Nem preciso dizer que sua meiguice se refletiu em cada movimento de sua dança...
Meu avô, junto com minha mãe e avó, faz parte do trio que mais cuidou de mim, apoio e carregou no colo, nos braços, nas costas e onde fosse preciso.
Ele foi pai 30 vezes para mim, presente 100% em minha vida.
A Carol foi o presente que Deus mandou para celebrar com ele os aniversários. Ninguém foi mais puxa-saco um do outro do que esses dois, e eles se mereceram integralmente.
Foi então que eu resolvi dar a esses dois uma simples dança, aquela sem pretensão mas que vem de dentro e sai com todo o amor que se pode dar.
Eu dancei com o candelabro para eles, sequer me lembro a música, ela era coadjuvante, mas era sinuosa e delicada. Ao final, do jeito mais piegas possível, eu tirei o candelabro e dei para eles apagarem.
Depois embalei um, mais clichê ainda,
Happy birthday to you a la habibi, e puxei minha irmã para dançar. Foram menos de 8 minutos de dança e baguncinha.
Passados 5 meses meu vozinho foi inesperadamente chamado por Deus e nos deixou saudosos de sua presença. Foi o momento mais dolorido da minha vida, nunca imaginei sentir tamanha tristeza, não consigo sequer dimensioná-la.
Os dias foram amanhecendo, um depois do outro, e fui parando para pensar, lembrar, matar a saudade com o que restava na mente já que fisicamente era mais possível.
Perdida nessas reflexões me veio a mente esta última dança, a última coisa mais significativa que fiz para meu avô.
Os dias passam e a gente sempre acha que vai ter mais tempo, tem coisas que não podem ficar para amanhã, amar e dançar são apenas duas delas.
Vô Ignácio e Carol, me assistindo dançar
Os aniversariantes apagando as velinhas do candelabro
Vô Ignácio e Carol, apagando a última velinha juntos
Certas coisas não podem ficar para amanhã, que bom que vivemos esse momento
Não é o vozinho mais lindo do mundo? Saudade!